domingo, 24 de outubro de 2010

TU VENS... TU VENS...



Com o passar dos anos a gente passa a sentir na pele o que as pessoas chamam de "TORNAR-SE ADULTO". E, na maioria das vezes, isso significa uma coisa ruim. Às vezes tornar-se adulto significa perder as ilusões, não construir expectativas, esperar sempre o pior para que o sofrimento seja menor, deixar de acreditar em contos de fadas e, principalmente em príncipes encantados, o que siginifica deixar de acreditar no amor.

E assim vivemos... Cheio de espinhos, mantendo uma posição de defesa para que os outros não se aproximem muito, que nós não as amemos muito e não soframos muito.. Somos pouco felizes para sermos pouco tristes depois...

Porém algumas pessoas ainda acreditam, porque alguns conseguem guardar em si a doce capacidade infantil de saber que tudo vai dar certo e que para ser feliz é preciso pouco. Essas pessoas ainda cultivam dentro de si uma semente de esperança, talvez fraca, rala, pois já foi pisada por outras pessoas, mas ela ainda vive. Eu, que sou "adulta", mulher-moderna-que-trabalha-e-estuda e está se preparando para ser do tipo independente que prefere estar só do que mal acompanhada, guardo dentro de mim uma menina romântica que quer um príncipe encantado e um feliz para sempre. Espero alguém que me traga mil e uma possibilidades coloridas, que me mostre que o amor existe e que traz felicidade, alguém que se divida comigo e aceite uma metade de mim para ele. Que sejamos cúmplices, amigos, que cuidemos um do outro...

Este final de semana fui assitir ao show do Victor e Léo. Recentemente eles regravaram a música ANUNCIAÇÃO, do Alceu Valença. Adoro essa música. Ela faz com que aquela sementinha se torne revigorada. Dentre tantas intepretações que existem para essa música eu fico com aquela que diz que ela fala sobre o anúncio de um amor verdadeiro que está chegando. Acreditando nisso esta menina romântica cantarola assim:


Na bruma leve das paixões que vem de dentro
Tu vens chegando pra brincar no meu quintal
No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido, já escuto os teus sinais
Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais

Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido, já escuto os teus sinais
Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais

Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais

Música: Anunciação
Composição: Alceu Valença

Vídeo no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=nUNHOvD0JNU&feature=player_embedded

domingo, 17 de outubro de 2010

AMIGOS...



O meu professor de literatura um dia me disse o seguinte: "Durante nossa vida, passamos por vários lutos. Perdemos várias pessoas e nem sempre as perdemos para a morte."

A cada dia que passa percebo o quanto ele estava certo. Pessoas que nos são tão queridas e que se vão simplesmente... Às vezes perdemos o contato com elas, às vezes brigamos, às vezes acontecem mal entendidos ridículos que as fazem ir e é horrível. Eu já passei por vários lutos desse tipo e me lembro da dor que cada um deles provocou em mim.

Eu, que tenho poucos amigos, rezo todos os dias por eles e pela amizade que nos une. Rezo para que eles nunca se percam de mim e nem eu me perca deles. Eles fazem parte do que eu sou. São corresponsáveis pelos meus momentos de alegria e pelo êxito das minhas ações.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

VEJA BEM, MEU BEM

Los Hermanos
Composição: Marcelo Camelo

Veja bem, meu bem
Sinto te informar que arranjei alguém
pra me confortar.
Este alguém está quando você sai
E eu só posso crer, pois sem ter você
nestes braços tais.

Veja bem, amor.
Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado "Saudade'.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

HOJE HÁ CHUVA E UM POUCO DE FRIO





Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquelas maçãs eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, mordo devagar uma das maçãs que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes. (...) A cada dia viver me esmaga com mais força.



Do sempre nosso, Caio.

domingo, 12 de setembro de 2010

MINHAS LÁGRIMAS

Eu tenho vivido dias estranhos. Nada de demasiadamente ruim está acontecendo, mas mesmo tendo coisas boas para poder aproveitar eu perco o sono e choro. Tenho sentido um sofrimento ruim, não sei bem o que é, só sei que quase desespero, mas não sei por quê. Tenho passado meus dias como se minha vida estivesse dentro de uma ampulheta e eu a visse passar e acabar, acabar, acabar... É tudo muito lento, mas não para por nem um minuto, entende? Nunca tive problemas para dormir e ultimamente tenho percebido que a noite é muito longa e eu vejo o dia clarear. Vejo começar mais um dia no qual eu não farei nada que marcará minha memória. Sabe, eu sou capaz de certas coisas que eu não quis fazer. E é justamente isso que me revolta. Se eu sei o que me deixa feliz porque eu não faço? Se eu não prejudico ninguém, porque determinadas pessoas não entendem minhas vontades? Mas, ao mesmo tempo, deixar quem a gente ama feliz não é uma forma de sermos felizes também? Será que alguma coisa, nisso tudo, faz sentido? O que eu sei é que eu não quero viver em branca nuvem, quero pintar um arco-iris com minhas memórias boas e aprender cada vez mais com meus próprios erros. A vida é sempre um risco e eu tenho medo do perigo, mas eu preciso enfrentar. Do contrário, a areia da ampulheta vai acabar de cair e eu terei várias páginas com tinta preta e branca. Lágrimas e chuva molham o vidro da janela. Muitas lágrimas nos últimos dias, mas ninguém me vê. O mundo é muito injusto e eu dou plantão nos meus problemas que eu quero esquecer. Eu fico remoendo tudo isso que me incomoda. É como se eu estivesse vivendo em modo standy-by. Nada acontece. Eu fico mergulhada em literatura e solidão. Fico achando tudo muito sem sentido falta alguma coisa, falta alguém! Será que existe alguém ou algum motivo importante que justifique a vida ou pelo menos este instante de angústia? Apesar dos pesares eu não perco as esperanças, eu vou contando as horas e fico ouvindo passos, na expectativa que alguém chegue e traga um sorriso de presente para mim. Não sei explicar direito qual é o estado das coisas aqui do lado de dentro. Só sei que preciso tentar aproveitar o tempo que ainda tenho e tentar sair do sinal amarelo e voltar para o verde. Só não sei o que vai acontecer quando eu conseguir isso Quem sabe o fim da história de mil e uma noites de suspense no meu quarto?



P.S.: Texto escrito a partir da música Lágrimas e Chuva, do Leoni.