Menina-moça, tentaram me fazer acreditar que o amor não existe e que sonhos estão fora de moda. Cavaram um buraco bem fundo e tentaram enterrar todos os meus desejos, um a um, como fizeram com os deles. Mas como menina-teimosa que sou, ainda insisto em desentortar os caminhos. Em construir castelos sem pensar nos ventos. Em buscar verdades enquanto elas tentam fugir de mim. A manter meu buquê de sorrisos no rosto, sem perder a vontade de antes. Porque aprendi com a Dona Chica, que a vida, apesar de bruta, é meio mágica. Dá sempre pra tirar um coelho da cartola. E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos. Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o voo. Eu sei que vou. Insisto na caminhada. O que não dá é pra ficar parado. Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim. O destino da felicidade, me foi traçado no berço. Disse um certo pai Ogum.
Do sempre nosso, Caio F.
Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva. Caio Fernando Abreu
sábado, 11 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
SOU BOLO SEM CEREJA

Nestes dias de feriado prolongado eu, que fiquei no modo standy-by, totalmente dedicada ao nada, tive muito tempo para assistir televisão. Dizem por aí que os atuais programas de televisão são excessivamente de má qualidade e fazem com que as pessoas parem de pensar. Meu Deus, comigo acontece exatamente o contrário: a má qualidade me faz pensar em mil coisas. E é sobre uma delas que vou falar agora. Ao ligar a televisão o que se vê? Um bando de gente junto: homens com um sorriso sem graça, mulheres praticamente nuas e uma banda que há anos toca a mesma música ridícula. Nem preciso dizer qual é o programa ou o canal porque, afinal, todos são a mesma coisa!
Mas uma coisa é interessante: os homens estão sempre com um visual básico: calça e camisa! Roupas que poderiam ser usadas tranquilamente em qualquer lugar que eles fossem! E as mulheres? Estão, cada vez mais com visual de praia. Shorts curtíssimos, decotes enormes e a barriga sempre à mostra ou, vestidinhos hiper justos no bumbum e elas ficam ajeitando a saia toda hora em um fingimento de pudor quando, na verdade,não passa de desconforto.
Não pensem que eu sou uma pessoa careta com excessos de pudores e tradicionalismos imbecis. Não, pelo contrário: como boa escorpiana, sou a favor da sensualidade. Mas não acho que uma mulher que fica saculejando a bunda em frente um camera seja sensual. A sensualidade está no que é sugerido, e não no que é escancarado. Uma saia de fenda é muito mais sensual que uma minissaia rodada. As mulheres mundialmente conhecidas por sua sensualidade são as que menos exibem seu corpo por aí.

Não estou dizendo que existe uma postura certa e uma errada e que eu sou detentora do melhor de todos os comportamentos. Acredito, que a verdade seja apenas uma questão de ponto de vista e não se pode julgar o livro pela capa. Pode ser que muitas dessas mulheres, fora do programa de televisão, se dediquem ao estudo, à leitura ou alguma atividade que a torne uma pessoa interessante. Não estou dizendo o que é certo e o que é errado, estou apenas abordando dois lados da mesma moeda e dizendo com qual dos dois eu fico. Atualmente, a mídia só aborda esse lado comida da mulher (mulher fruta, mulher filé, etc.) como se fóssemos feitas para sermos consumidas! Literalmente. Isso passa noite e dia na televisão. As mulheres estão disponíveis na internet, em cartazes e onde mais for lucrativo. E qual a consequência disso? Nós, mulheres comuns, somos engolidas pelo mundo, como se fossémos obrigadas a ser desse jeito que nos desenham. Quem disse que precisamos ser assim? De repente, me mostram um mundo no qual eu só posso ser feliz se eu comprar um short curto, colocar silicone e aprender a dançar funk? Não é bem assim, não!!!!
Para sermos felizes precisamos estar realizadas. E o que realiza o ser humano são demonstrações de afeto, amor, carinho e respeito. E não precisamos mostrar 96% do nosso corpo para conseguir isso. Definitivamente não acho que peito, bunda e coxa sejam sensuais. Sensual é personalidade, carater, bom humor e inteligência. Mulheres, temos que ser interessantes! Isso é o mais importante! Vaidade é importante, claro! Mas não é o essencial. Cuide-se bem, faça academia, compre alguns cremes anticelulite e use uma blusinha mais decotada de vez em quando. Faça como eu: usufrua dos benefícios de um batom vermelho! Isso tudo é complemento. É um algo a mais. A cereja do bolo, entende? Se tiver de escolher entre ser interessante e ser sexy escolha a primeira opção. Afinal, seja sincera: você prefere uma cereja sem bolo ou bolo sem cereja?
domingo, 29 de agosto de 2010
NINGUÉM

Ninguém
Tati Bernardi
Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é? Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo “nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir”. Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém. Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue. Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.
sábado, 28 de agosto de 2010
COM VOCÊS, LEONI!
ALICE NÃO ME ESCREVA AQUELA CARTA DE AMOR
Leoni
Tantos sonhos morrem
Em poucas palavras
Um bilhete curto
E já não há nada
Alice, não se esqueça
Do nosso amor
Será que eu tenho sempre
Que te lembrar?
Todo dia, toda hora
Eu te imploro
Por favor
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
Sempre tive medo
Das suas idéias
Por que você precisa
Ser tão sincera?
Alice, eu tô treinando
Pra te enfrentar
Tenho mil motivos pra
Você me suportar
Fica mais uma semana
Nesse tempo a gente engana
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
Todo mundo sabe de alguma coisa que eu não sei
De um filme que eu não vi
De uma aula que eu faltei
Por mais que eu tente eu nunca chego no horário
Eu perco tudo que eu ponho no armário
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil
A fila que eu escolho vai sempre andar mais devagar
E o troco acaba bem na hora em que eu vou pagar
Se eu me distraio um único instante
Pode apostar que eu perco o mais importante
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil
Os vizinhos devem rir por trás do jornal
Eu desconfio de um complô
O maior que já se armou
Uma conspiração internacional
Os vizinhos devem rir por trás do jornal
Eu desconfio de um complô
O maior que já se armou
Uma conspiração internacional
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
Leoni
Tantos sonhos morrem
Em poucas palavras
Um bilhete curto
E já não há nada
Alice, não se esqueça
Do nosso amor
Será que eu tenho sempre
Que te lembrar?
Todo dia, toda hora
Eu te imploro
Por favor
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
Sempre tive medo
Das suas idéias
Por que você precisa
Ser tão sincera?
Alice, eu tô treinando
Pra te enfrentar
Tenho mil motivos pra
Você me suportar
Fica mais uma semana
Nesse tempo a gente engana
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
Todo mundo sabe de alguma coisa que eu não sei
De um filme que eu não vi
De uma aula que eu faltei
Por mais que eu tente eu nunca chego no horário
Eu perco tudo que eu ponho no armário
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil
A fila que eu escolho vai sempre andar mais devagar
E o troco acaba bem na hora em que eu vou pagar
Se eu me distraio um único instante
Pode apostar que eu perco o mais importante
Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil
Os vizinhos devem rir por trás do jornal
Eu desconfio de um complô
O maior que já se armou
Uma conspiração internacional
Os vizinhos devem rir por trás do jornal
Eu desconfio de um complô
O maior que já se armou
Uma conspiração internacional
Alice não me escreva
Aquela carta de amor
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