sexta-feira, 4 de junho de 2010

CLAUFE RODRIGUES

No dia 23 de maio estive na Bienal do Livro. Motivada pela presença da escritora Fernanda Mello, acompanhei a apresentação que acontecia na Arena Jovem e, além de cumprir o objetivo inicial (conhecer a Fernanda), tive a oportunidade de conhecer o escritor Claufe Rodrigues que me encantou. Tenho pesquisado mais sobre ele e, com certeza, ele já está na minha lista de favoritos. Conheçam!





O DONO DO TEMPO

CLAUFE RODRIGUES

Vejo beleza em tudo o que vejo
Porque sou poeta e me alimento do que é belo
Ante meus olhos
Baleias viram sereias
Sirenes tocam sinos
Tenho a alma de um menino
Que ainda está para nascer.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...

Vejo beleza nos casais que se amaram para sempre
E porque não, vejo beleza nos amantes de ocasião,
Verão vermelho na eternidade cinza.
Vejo beleza na flor e no espinho,
Na água e no vinho,
Na derrota e na vitória.
Vejo beleza na Marina e na Glória, de mãos dadas ao entardecer.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...

Vejo beleza nas ruas secundárias,
Mais do que nas avenidas principais.
Vejo beleza nos velhos caminhando nas praças,
Nas meninas comendo pizza nos shoppings,
Até no motorista que avança os sinais,
Enquanto os pedestres passam apressados,
Prestes a enlouquecer.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...

Vejo beleza no mínimo e no máximo,
No desperdício e no básico,
No popular e no clássico,
Na música e no barulho,
No vício e na virtude.
Vejo beleza até quando não vejo,
Quando beleza é só o desejo de ver.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...


POESIA NÃO DÁ CAMISA

Se todas as mulheres do mundo

tivessem 1/3 do teu perfume

Deus morreria de ciúmes dos homens,

porque não haveria mais eternidade, paraíso,

essas paisagens do amanhã.

Existiria apenas o teu sorriso de hortelã,

refrescando a minha boca

encharcada de saliva.



Poesia não dá camisa,

mas o poeta, quando tem uma musa,

não precisa de blusa

vive de brisa.

terça-feira, 25 de maio de 2010

“Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada."

C.F.A.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

PRESENTE DE AMIGO

Conheci hoje esse poema. Ele me foi apresentado por um amigo novinho em folha!


Não Quero
Mário Quintana

Não quero alguém que morra de amor por mim… Só preciso de alguém que
viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.

Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.

Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim… Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível… E que esse momento será inesquecível… Só quero que meu sentimento seja valorizado.

Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.

Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém… e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…

Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.

E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo…

Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe… Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.

Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.

Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…

Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.

Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros… Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.

Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!

domingo, 16 de maio de 2010

NADA DE NEURAS




Estou numa fase totalmente tranquila. Absolutamente sem neuras. Dúvidas, inseguranças e arrependimentos são palavras que estão sendo apagadas do meu dicionário por falta de uso.

Não me preocupo mais com problemas que são dos outros e não faço tempestades em copo d'água. Não me preocupo com quem não se preocupa. E não morro de amores por ninguém. Nem de ódio! Porque os dois sentimentos, de igual maneira, nos suga muito quando é intenso demais.

Isso não significa que estou procurando o equilíbrio das coisas. Não. Bem que eu queria, mas equilíbrio é uma palavra que não está no meu dicionário por causa da minha terrível falta de habilidade com ela. Continuo extrema, intensa. Estou em uma fase que talvez se possa chamar de egoísta. Estou correpondendo extremamente e sem nenhum arrependimento ou pudor àquilo que me dão. As pessoa tem de mim exatamente aquilo que conquistam.

Optei pelo não sofrimento. Essa decisão tem influenciado não só no relacionamento com outras pessoas, mas também no meu dia-a-dia. Man! I feel like a woman, da Shania Twain e Rosas, da Ana Carolina tem sido a trilha sonora dos meus dias. Deixei o Leoni um pouquinho de lado e tenho ouvido Lady Gaga, Britney Spears, Madonna e qualquer outra coisa que me deixe com vontade de dançar. Larguei de vez a chapinha! Assumi minhas ondas volumosas e me entreguei irreversivelmente ao chocolate. Tenho a maior naturalidade em transitar entre o tênis e o scarpin. Porque roupa, para mim, não é questão de estilo e, sim, de humor e intenções. Não abro mão do meu esmalte e do meu batom: vermelhos, sempre. Tenho me maquiado muito, mas acho que é pelo frio. Maquiagem combina com frio...

Estou sendo eu mesma, sem precisar da permissão de ninguém para isso.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

APRESENTAÇÃO

Texto de Martha Medeiros

"Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu anti socialismo interno.
Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa, impulsiva e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.
Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessas horas não sei onde vão parar minhas idéias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.
Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também."