Socorro
Arnaldo Antunes
Composição : Arnaldo Antunes/Alice Ruiz
Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...
Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir...
Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...
Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...
Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva. Caio Fernando Abreu
sábado, 30 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011

“Então você está confusa com seus sentimentos. Ele apareceu tão de repente na sua vida, com aquele brilho manso no olhar, com aquela meiguice na voz, sem pedir coisa alguma, meio como um Pequeno Príncipe caído de um asteróide. A princípio você nada percebeu de diferente. O susto veio quando você se lembrou das palavras da raposa, explicando ao Pequeno Príncipe o que era ficar cativo: É assim. A princípio você senta lá e eu aqui. Depois a gente vai ficando cada vez mais perto. Os passos de todos os homens me fazem entrar dentro da minha toca. Mas os seus passos me fazem sair…”
- Antoine de Saint-Exupéry.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
"Do nosso amor a gente é que sabe, pequeno."
Chega um dia em que não é mais possível ignorar aquilo que doi. Pensando nisso, ela usou o feriado para fazer uma colcha de retalhos. Foi juntando tudo: poesias, filmes, objetos, lembranças, cenas...tudo. Tomou um banho de lembranças e outro de lágrimas. Ficou mais leve depois disso, embora a solução não tenha vindo e, talvez, nunca venha.
sexta-feira, 15 de abril de 2011

“Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos.”
Do sempre nosso,
Caio Fernando Abreu
quarta-feira, 30 de março de 2011
Vamos Mariar?

Foi ontem a grande final do BBB 11. Sim, eu fiquei assistindo! E gostei muito. Eu faço parte daquele grupo de pessoas que preferem conhecer antes de criticar, ou melhor, conhecer para criticar. O BBB possui inumeráveis aspectos contestáveis e condenáveis, mas só quem asssiste pode comentar sobre eles. Como falar de algo que não se conhece? Se você fala mal de alguma coisa quem nunca viu, você não está sendo crítico, está sendo pagagaio que repete o que ouve por aí!
Apesar de não assistir todos os dias, gosto sempre de estar informada sobre o que está acontecendo no reality. Temos que ter em mente que um programa como esse não tem o poder de mudar a sociedade ou de influenciar às pessoas. Não acredito nisso. Acho que é exatamente o oposto: ele mostra o que nossa sociedade é! Por exemplo, há quem diga que a presença do Dourado na casa estimulou atitudes de homofobia e outros infinitos tipos de preconceitos: bobagem! Ele não teria esse poder. A nossa sociedade, infelizmente, é uma sociedade homofóbica e preconceituosa. A presença de um participante no BBB que apresenta essas características apenas joga na cara dos falsos moralistas como a situação está de verdade. E, nesse momento, paramos para discutir sobre o assunto, para analisar situações e, quem sabe, quebrar velhos paradigmas?
Bom, meu texto não tem o objetivo de defender o BBB. Estou apenas dizendo que, como tudo no mundo, ele possui aspectos bons e ruins. Cabe a nós saber separar!
O que eu quero dizer é que essa nova edição nos trouxe algo ótimo. Algo ótimo para nós, mulheres! Quem assistiu teve a chance de refletir sobre nós mesmas, através da MARIA.
O Bial, que é um excelente jornalista e um ótimo escritor, às vezes escorrega nos discursos que faz aos brothers, mas, ontem na final, ele acertou em cheio. Ele disse:"Reza a lenda que as mulheres decidem o programa, mas não ganham nunca(...) Até que chega uma mulher, uma linda mulher, que atrai os homens e intriga as mulheres. Uma mulher que esfrega não, que afaga na cara das mulheres tudo que elas mais detestam ser, ter sido ou vir a ser de novo por alguma circunstância!
Pronto! E não é que é isso mesmo! Nós, mulheres seguimos regras que tacitamente foram estabalecidas pela nossa sociedade para ditar o nosso comportamento. A Maria trouxe à tona tudo aquilo que a gente tem medo: burrice, desfrute (que palavra antiga!), rejeição, humilhação. Porque, nós, filhas de Amélia, não podemos ser burras. Temos que entender de tudo, darmos palpites inteligentes e, claro, sempre com bom humor. Barraco não é coisa de Amélia. Mantemos a classe, engolimos seco.
E no amor? Nunca nos oferecemos, porque as pessoas vão pensar o quê de mim? E, cá entre nós, a mulher que disser que nunca quis pedir carinho, que nunca pensou em implorar pelo amor de um homem ou quis se insinuar e tentar consquistá-lo a qualquer preço, essa mulher está terminantemente mentindo! Sim, temos vontade de fazer isso, mas Amélias não fazem isso. Amélias nasceram para serem conquistadas e nunca rejeitadas. A humilhação é uma vergonha para uma Amélia, por isso não nos oferecemos porque temos que transparecer orgulho, segurança, e autosuficiência, mesmo que seja tudo de mentira! É isso que a nossa sociedade hipócrita, machista e moralista exige! É isso que nós, mulheres hipócritas, machistas e moralistas exigimos de nós mesmas e das nossas amigas.
A Maria agiu exatamente ao contrário: ela chorou, riu, dançou, dizia sempre "não entendi". Burrinha? Não! CORAJOSA. Inteligentíssima. Porque isso mostrava o quanto ela queria aprender. E os romances? Ela ficou com um, depois se balançou por outro, aí lutou para reconquistar o primeiro, não conseguiu, e, finalmente aceitou o amor do segundo. E isso tudo foi vivido em doses cavalares de intensidade e sinceridade. E foi acompanhado com apoio do público, que demonstrou que algo está mudando...
Há quem diz que ontem foi dia de Maria e, eu digo: na nossa atual conjuntura social, chega de viver como filhas de Amélia, é preciso demonstrar o que se é, o que se sente, o que se quer! É TEMPO DE MARIAS!
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