quarta-feira, 7 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

EU...

...Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.

Clarice Lispector

segunda-feira, 5 de julho de 2010

SIM, QUE PELO MENOS SEJA DOCE

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se não fosse nada.


Do sempre nosso,


Caio

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Estou passando um daqueles dias tensos em que parece que meu coração vai sair pela boca. É uma mistura de tristeza, raiva e dor. Me sinto excluída por determinadas pessoas que diziam que sempre estariam comigo e não me sinto amada por alguns que me juraram amor eterno. Nesse turbilhão, tão conhecido pelo meu coração, só tem um pessoa que não me deixa por nenhum segundo sequer: eu mesma! Ai, e como é difícil ficar me ouvindo dando conselhos para mim mesma e me cobrando por atitudes que eu própria me havia proibido tomar. Essa cobrança é a mais dura de todas. Eu me resigno e me obedeço porque preciso controlar a mim mesma.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

CLAUFE RODRIGUES

No dia 23 de maio estive na Bienal do Livro. Motivada pela presença da escritora Fernanda Mello, acompanhei a apresentação que acontecia na Arena Jovem e, além de cumprir o objetivo inicial (conhecer a Fernanda), tive a oportunidade de conhecer o escritor Claufe Rodrigues que me encantou. Tenho pesquisado mais sobre ele e, com certeza, ele já está na minha lista de favoritos. Conheçam!





O DONO DO TEMPO

CLAUFE RODRIGUES

Vejo beleza em tudo o que vejo
Porque sou poeta e me alimento do que é belo
Ante meus olhos
Baleias viram sereias
Sirenes tocam sinos
Tenho a alma de um menino
Que ainda está para nascer.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...

Vejo beleza nos casais que se amaram para sempre
E porque não, vejo beleza nos amantes de ocasião,
Verão vermelho na eternidade cinza.
Vejo beleza na flor e no espinho,
Na água e no vinho,
Na derrota e na vitória.
Vejo beleza na Marina e na Glória, de mãos dadas ao entardecer.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...

Vejo beleza nas ruas secundárias,
Mais do que nas avenidas principais.
Vejo beleza nos velhos caminhando nas praças,
Nas meninas comendo pizza nos shoppings,
Até no motorista que avança os sinais,
Enquanto os pedestres passam apressados,
Prestes a enlouquecer.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...

Vejo beleza no mínimo e no máximo,
No desperdício e no básico,
No popular e no clássico,
Na música e no barulho,
No vício e na virtude.
Vejo beleza até quando não vejo,
Quando beleza é só o desejo de ver.
Sou o dono do meu tempo
Mas de repente vem um vento e eeeê...


POESIA NÃO DÁ CAMISA

Se todas as mulheres do mundo

tivessem 1/3 do teu perfume

Deus morreria de ciúmes dos homens,

porque não haveria mais eternidade, paraíso,

essas paisagens do amanhã.

Existiria apenas o teu sorriso de hortelã,

refrescando a minha boca

encharcada de saliva.



Poesia não dá camisa,

mas o poeta, quando tem uma musa,

não precisa de blusa

vive de brisa.